Terça-feira, Setembro 30, 2008
Dilema juvenil
Aí está você, garoto juvenil, criado no ovomaltine, suquinho de pêra. Que acha que green moment é reciclar papel de parede (do computador). A vida deu tudo e hoje, sem ter com o que sofrer, padece das doenças modernas. São elas:
Estresse: Seja pela monografia, o papai que não deu o carro ou o ‘não’ ingresso pro show da madonna, todo juvenil se acha estressado. Motivo esse para se entupir de maconha com os amigos vagabundos.
Gerundismo: De tanto viver no celular, na TV e na internet, fala como os atendentes do serviço. O chefe delega um serviço e ele diz, vou estar resolvendo chefe, vou estar resolvendo.
Crise existencial: entre um e outro curso de fotografia ou teatro, aprendeu que não se é ninguém sem ter com o que se revoltar. E hoje, junto do tênis e da musculação, faz psicólogo para ter assunto na rodinha.
Compras por impulso: relógios, tênis, calças, toy arts. Assim mesmo, no plural. Não tem maiores responsabilidades além da fatura do cartão que, em último caso, o papai quebra o galho e paga.
Quem não foi garoto juvenil, que atire o primeiro Todinho. Se você ainda é, aproveite. Um dia, quando acordar adulto e com problemas de verdade, vai realizar que suas neuras eram fichinha. E que você era feliz, só não sabia.
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
Sinfonia
Mesmo pra quem não é esportista, andar pelo Parque do Ibirapuera é um happening. Lá tem a Bienal, o MAM, a Oca e o Auditório do Ibirapuera. Achou pouco? Ainda tem o Planetário, o Centro de Cultura Japonesa, o Viveiro Manequinho Lopes e o Museu da Raça Negra. Incrível, né?
O caçula é o Auditório, que só recentemente teve seu projeto original (Niemeyer) finalizado. Nele, a parede do fundo de cena abre para o parque, fazendo do verde cenografia. O bacana é que isso permite aos espetáculos terem público tanto para dentro quanto para fora, no gramado.
Um belo dia enquanto corria, tive a nítida sensação do meu corpo vibrar. Quando contornei o parque vi uma multidão sentada estática, no gramado. Tirei o iPod e reconheci o som na hora, Carmina Burana. Era a Orquestra Sinfônica de São Paulo no palco externo do Auditório.
Cenas assim não são raras por lá. E mesmo com sua fama de elitista e poluído, o parque ainda é uma das poucas e boas opções de entretenimento outdoor paulistanas. Além disso, todos os museus têm períodos de preços populares ou gratuitos. Por isso, ao visitar a capital não deixe de ir.
Sobre o dia da Sinfônica, nem preciso dizer que me juntei na hora na multidão. Fazia um sol lindo e o vento subia umas flores amarelas. Um lance meio Kurosawa. Neste final de semana virei a noite trabalhando, mas nem liguei. Já tinha ganhado o dia.
update: achei no youtube um video bem legal deste dia.
Quarta-feira, Setembro 24, 2008
Engajado
Segunda foi Dia Mundial Sem Carro. Adorei. Saí com o meu e quase não peguei trânsito. Ou você achou que eu ia sacolejar num ônibus lotado em prol dum planeta melhor? Porque se achou, está no blog errado colega.
Aliás, não uso ecobag, não reciclo embalagem e prefiro a ala de fumantes, só porque as pessoas são mais interessantes. Como você viu, não sou um cara engajado. E para sair por aí a pé, teria primeiro que ter um transporte público decente. O que não é o caso de São Paulo.
Também não sou um desnaturado. Tenho meus credos para um mundo melhor, que vão desde ajudar uma instituição de caridade a ser cavalheiro com o próximo. O que não suporto é papinho neo-burguês, de engajado de boutique.
Que recicla lixo, mas maltrata o garçom pra parecer fodão na mesa do Bistrô fino (o pior dos defeitos). Que usa ecobag, mas não está nem aí quando esquece o dinheiro da empregada, porque é mixaria. Pensar no lixo pode, em gente de verdade não!?
Convenhamos meu caro, quer fazer o mundo melhor? Comece por sorrir. Seja solidário. Seja mais humano. Desconfie do consenso. Seja oposição. Não leve a sério. Não se leve a sério. E sobretudo, nunca esqueça de que nada é bem assim.
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
Gôndolas
22hs. São Paulo. Zona Sul. Você, de agasalho e recém-saído da academia, estranha a quantidade de gente produzida, falando alto no celular e ostentando grife. E se pergunta se está mesmo no supermercado ou no shopping?
Caras e bocas entre sabonetes e salgadinhos. Na gôndola de pães, um casal chama a atenção. Ele de lenço xadrez, ela de legging dourada. Na de importados, uma madame segura uma Campbell na mão e encena um monólogo. Você começa a achar as coisas meio surreais.
De repente um cheiro doce no ar. Uma bichinha no cat walk passa voando, jurando que o corredor de massa é a passarela. Um pivô e... Um olhar lânguido de brinde. Um arrepio atravessa a sua espinha. Você corre para terminar a lista.
Já no caixa, um yuppie e um casal tom pastel trocam elogios mútuos. O motivo? As sacolas auto-sustentáveis de cada um, o último grito da descolândia antenada com as causas do planeta. Você, cagando pro planeta, sente os olhares inquisitórios.
Tem Cartão Mais? Quer nota fiscal paulista? Moça, por favor, só quero sair desse filme do Stephen King, diz você pra caixa. Já no carro, promete nunca mais voltar naquele supermercado... A não ser, a bordo duma boa Diesel.
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
Disparada
Já reparou que a semana numa academia é igual a Corrida de São Silvestre? Segunda é a largada. Homens, mulheres, adolescentes, todo mundo tira a combinação Track&Field do armário e esbanja fôlego e alegria.
Terça é aquela reta grande. O quorum ainda é alto e a galera ainda se sente motivada. Alguns já mostram cansaço mas, no geral, rola um clima de euforia.
Quarta é a curva sinuosa. Começam as desistências. Os que vem já mostram desinteresse, ora conversando em grupinhos, ora pendurados no celular. Malhação que é bom, nada.
Quinta é tipo o começo da subida. Geral já desistiu pelo caminho. A academia já está vazia e você treina sem esbarrar nos empolgados de segunda.
Sexta é aquela subidona. A academia só tem praticamente os atletas de ponta. No caso, aqueles que, faça chuva faça sol, não abrem mão de terminar a corrid... ops, o treino semanal.
Sábado é a reta final. Só a elite, leia-se os neuróticos. Assim como no final da corrida, o carão impera porque ninguém ta ali para brincar. Por isso, atente, se você leu aquelas a Marie Claire e resolveu entrar na academia para fazer amizade, paquerar e afins, jamais chegue no final da semana.
Terça-feira, Setembro 16, 2008
É sempre lindo andar...
Se anda muito pouco por São Paulo. E motivos pra isso é o que não faltam. Vão desde o transporte público insuficiente as pirambeiras sem fim, que fazem você suar mais do que sair de terno no Rio de Janeiro.
A exceção rola aos finais de semana, quando a paulistada jura de pé junto (numa Croc cafona) que o jardins é o Village e se joga no footing. Se despontar um sol então, aí que a turma off white sai da toca.
Nestes dias, a rua Oscar Freire lembra a 25 de março. Elegante, mas ainda assim 25. E as feirinhas? Nunca vi lugar para ter mais feirinha. É de antiguidade, é hippie, é de comida. Andar na calçada vira um drama.
A fauna também vira uma atração a parte. Quem caminha pelo Jardins, por exemplo, já deve ter visto a madame que tem um porco de estimação. Ou já topou a mad-maria, uma tia louca que assusta quem está distraído.
Cada bairro tem suas personagens, histórias e peculiaridades. Andar a pé na cidade ajuda a quebrar a mítica de que Sampa não tem vida, não tem cor. Pois quem mora aqui sabe que a canção não mente, é sempre lindo andar na cidade de São Paulo.
Quarta-feira, Setembro 10, 2008
A pessoa procon
O garçom demorou? O copo veio com uma pedra de gelo e não duas? O prato chegou frio? Pronto, o barraco está formado. Por trás dele está ela, a pessoa procon. Aquele mala que ameaça processar até igreja que atrasa missa.
Blindado por duas coisas: o conhecimento de leis e o fundamento capitalista de que o consumidor tem sempre razão, jovens elitistas, yuppies tupiniquins e afins, fazem as vezes que outrora pertenceu aos velhos e rabugentos.
Mas qual a diferença entre brigar por um direito e ser uma pessoa procon? Primeiro, a arrogância. Afinal, a pessoa procon “tá pagando”. Por isso exige o que quiser e do jeito que quiser, sem realizar que entre ele e o seu sofisticado filé existe um ser humano.
Procurar pêlo em ovo é um outro diferencial A pessoa procon só relaxa em sua própria casa. Fora dela, fica procurando problemas para reclamar e malar os outros. E como a gente sabe, quem procura acha.
E por último, a falta de respeito pelos colegas. Afinal, todo mundo tem o direito de dizer o que bem entender, mas constranger uma mesa inteira por conta duma salada é, alem de obtuso, caipira. Nessas horas o jeito é torcer para que o garçom cuspa somente no prato do mala e não da turma toda.
Quinta-feira, Setembro 04, 2008
Pra casar
Outro dia na TV vi o Silvio (você sabe quem) dizer para uma celebridade B (que você não precisa saber quem) que ela não era para casar. Eis que na coluna semanal da Danuza (que você deveria saber quem) leio sobre o mesmo subject.
Com tantos quem’s do parágrafo acima, me peguei neste pensando quem (ou como) seria uma pessoa para casar? Afinal, ficar procurando por aí alguém sincero, não galinha e de família, além de clichê é uma perda de tempo.
Claro que acredito num perfil ideal. Mas não na pessoa ideal. Você, por exemplo. Centrado, bem-sucedido, do tipo que lê GQ e janta no Gero. Marido ideal para algumas pessoas, mas que não serviria nem para amigo de outras.
Sem contar o fator mudança. Numa relação a gente começa uma coisa e, durante o processo, muda pra caramba. Nessa, o galinha pode virar um marido sensacional e o bonzinho, um bom dum cafajeste.
Achar a pessoa ideal não tem fórmula. Por isso, antes de tudo, beije, trepe, more junto, experimente. E se alguém disser que você não é para se casar, nem ligue. Aproveitar a vida sem pensar em casório torna você, no mínimo, uma conquista mais difícil. E por isso mesmo, muito mais interessante.
Segunda-feira, Setembro 01, 2008
Pódio
Vendo os medalhistas de ouro na TV, lembrei das olimpíadas. Quem lê o blog sabe como sou fã de esporte. Nessa que passou, me peguei acordado madruga adentro bebendo caipirinha (cujo recorde na turma é meu rá-rá) e acompanhando tudo o que foi competição. Teve noite que dormi três horas.
Independente de gosto, acho incrível a quantidade de lições cívicas que o esporte ensina pra gente. Para quem fez ou faz alguma modalidade esportiva, falar de disciplina, competitividade, perseverança e superação, é até redundância.
Todo esportista é mais obstinado, mais tolerante a dor (leia-se sem frescura) e mais disciplinado para acabar o que começou. Parece arrogância, mas não é. E mesmo a gente sabendo que um esportista de nível não bebe, não fuma, não sai na balada e quase não trepa, a gente ainda sente inveja.
A meu ver, o grande trunfo de quem faz esporte é conhecer de perto tanto a vitória quanto a derrota. E realizar que cair ou perder, faz parte do jogo. Mas levantar, seguir adiante e ainda vencer, faz parte só de você.