Sexta-feira, Outubro 10, 2008


Temperatura

Fingir que algo não é com a gente é básico. Dá para fazer isso com quase todo mundo que a gente não gosta. É chato, mais dá… Agora, fingir que o verão não é com a gente, aí colega, difícil.

Porque apesar do frio ducaráleo que está rolando na cidade, o verão está perto. E muito franco, todo mundo diz que não está nem aí, que é contra a ditadura do corpo e o escambau, mas chora com o Sundown na mão no primeiro convite para Maresias.

Também sei que se conselho fosse bom não se dava, vendia, mas esse blog é diquinta e você está aqui lendo… Então a dica, ou você junta algum e compra um ticket na econômica pra Escandinávia, ou começa a olhar para as saladas com mais carinho.

E se a força de vontade (leia-se tempo + dinheiro) deixar, faz que nem eu e também olha com afeto praquela academia que você atravessa para não passar na porta. Porque a gente não quer ser feliz. Quer ser feliz e gostoso.

escrito por MIM - 5:09 PM

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Quinta-feira, Outubro 09, 2008


Deveres

Pois é, o tempo passa a Lusitânia gira e os nossos deveres para com os amigos mudam. Antes, bastava ser legal e gostar da pessoa. Hoje, aquele amigo espera que a gente faça cada coisa que até Deus duvida. Quer ver?

Fazer paredinha: Consiste no ato de fazer parede humana para que o amigo possa, digamos assim, concluir atos que os outros não podem ver. Tipo xixi na rua, acender baseado no show de rock, ou a catar a mais piranha do clube.

Aumentar a bola: se o amigo está se sentindo um lixo, sua obrigação é fazer ele se sentir um luxo. Tarefa muitas vezes nada fácil. Materializar na casa da pessoa (de onde, é problema seu) algo que seja ilegal, imoral ou que engorda é um bom começo.

Baixar a bola: A amiga que confiou na meia arrastão, o amigo acreditou na sunga de lateral fina? Cabe a você dar aquele toque sincero. E se você for como eu ainda vai tirar um sarro, que você não é obrigado.

Fazer o sério: tipo casamento, formatura ou outra formalidade onde o amigo solicita que você faça o comportado. Se bem que nestes casos a normalidade fake dura pouco. Pois você enche a cara de prosseco, começa a paquerar o staff do buffet e… Preciso falar mais?

escrito por MIM - 11:49 AM

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Quarta-feira, Outubro 08, 2008


Foco

No dicionário, foco é também descrito como ponto de reunião. Daí que você anda assim, reunindo os pontos. E o que isso significa? Que você está priorizando o que importa. E o que é relevante na sua vida.

Motivos pra gente focar não faltam. Um momento importante no trabalho, na vida, no amor. Às vezes, nem positivos os motivos são, tipo aquela maré ruim que vem e vai (toc, toc, toc). Essas também exigem 100% de foco.

E falando em foco, lembrei dum fato. Há um mês fui no oftalmo porque achei que estava sem foco. E não é que eu estava mesmo? Graças a Deus, só um pequeno astigmatismo no olho esquerdo, logo compensando direito.

Na realidade a gente pode não ter nascido pra focar o tempo todo. Mas se hoje a gente paga nossas contas, tem nossos amigos e vive numa boa, sem ter passado por cima de ninguém, alguma coisa de certo a gente fez.

escrito por MIM - 2:32 PM

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008


Jeans

O assunto é esse mesmo. E nem é por falta tempo ou tema prum post melhor, mas porque você correu a porta do closet e tomou um susto com a quantidade deles (ok, confesso, nem tenho closet, só quis criar um clima chic).

E o tema esteve duas vezes em pauta na semana. A primeira, por conta do calvário para salvar uma calça ducaráleo e que está se deteriorando, comprada na época que a Iódice era a meca dos jeans bacanudos.

Aliás, gostar muito duma roupa é um dilema. Porque você usa, usa, lava, lava e quando menos espera, a roupa evapora de velha (tipo rasgar o fundo no meio da balada) deixando você numa situação vexatória.

Depois, o convite para assistir o queridão A.A. (dono da noite GLS da cidade) receber uma condecoração exigindo traje social. E MSN bombou com a questão: traje social comporta jeans? Combinou-se que sim, e nem confiança.

E para fechar com costura de ouro, achei um link cool sobre o jeans nas ruas de São Paulo. Mais que estilos, o ensaio sintetiza um pouco das marcas, dos lugares e das pessoas que transitam por aqui (aliás, vária carinhas conhecidas). Vale conferir.

escrito por MIM - 12:16 PM

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Terça-feira, Setembro 30, 2008


Dilema juvenil

Aí está você, garoto juvenil, criado no ovomaltine, suquinho de pêra. Que acha que green moment é reciclar papel de parede (do computador). A vida deu tudo e hoje, sem ter com o que sofrer, padece das doenças modernas. São elas:

Estresse: Seja pela monografia, o papai que não deu o carro ou o ‘não’ ingresso pro show da madonna, todo juvenil se acha estressado. Motivo esse para se entupir de maconha com os amigos vagabundos.

Gerundismo: De tanto viver no celular, na TV e na internet, fala como os atendentes do serviço. O chefe delega um serviço e ele diz, vou estar resolvendo chefe, vou estar resolvendo.

Crise existencial: entre um e outro curso de fotografia ou teatro, aprendeu que não se é ninguém sem ter com o que se revoltar. E hoje, junto do tênis e da musculação, faz psicólogo para ter assunto na rodinha.

Compras por impulso: relógios, tênis, calças, toy arts. Assim mesmo, no plural. Não tem maiores responsabilidades além da fatura do cartão que, em último caso, o papai quebra o galho e paga.

Quem não foi garoto juvenil, que atire o primeiro Todinho. Se você ainda é, aproveite. Um dia, quando acordar adulto e com problemas de verdade, vai realizar que suas neuras eram fichinha. E que você era feliz, só não sabia.

escrito por MIM - 3:43 PM

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Sexta-feira, Setembro 26, 2008


Sinfonia

Mesmo pra quem não é esportista, andar pelo Parque do Ibirapuera é um happening. Lá tem a Bienal, o MAM, a Oca e o Auditório do Ibirapuera. Achou pouco? Ainda tem o Planetário, o Centro de Cultura Japonesa, o Viveiro Manequinho Lopes e o Museu da Raça Negra. Incrível, né?

O caçula é o Auditório, que só recentemente teve seu projeto original (Niemeyer) finalizado. Nele, a parede do fundo de cena abre para o parque, fazendo do verde cenografia. O bacana é que isso permite aos espetáculos terem público tanto para dentro quanto para fora, no gramado.

Um belo dia enquanto corria, tive a nítida sensação do meu corpo vibrar. Quando contornei o parque vi uma multidão sentada estática, no gramado. Tirei o iPod e reconheci o som na hora, Carmina Burana. Era a Orquestra Sinfônica de São Paulo no palco externo do Auditório.

Cenas assim não são raras por lá. E mesmo com sua fama de elitista e poluído, o parque ainda é uma das poucas e boas opções de entretenimento outdoor paulistanas. Além disso, todos os museus têm períodos de preços populares ou gratuitos. Por isso, ao visitar a capital não deixe de ir.

Sobre o dia da Sinfônica, nem preciso dizer que me juntei na hora na multidão. Fazia um sol lindo e o vento subia umas flores amarelas. Um lance meio Kurosawa. Neste final de semana virei a noite trabalhando, mas nem liguei. Já tinha ganhado o dia.

update: achei no youtube um video bem legal deste dia.

escrito por MIM - 3:44 PM

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Quarta-feira, Setembro 24, 2008


Engajado

Segunda foi Dia Mundial Sem Carro. Adorei. Saí com o meu e quase não peguei trânsito. Ou você achou que eu ia sacolejar num ônibus lotado em prol dum planeta melhor? Porque se achou, está no blog errado colega.

Aliás, não uso ecobag, não reciclo embalagem e prefiro a ala de fumantes, só porque as pessoas são mais interessantes. Como você viu, não sou um cara engajado. E para sair por aí a pé, teria primeiro que ter um transporte público decente. O que não é o caso de São Paulo.

Também não sou um desnaturado. Tenho meus credos para um mundo melhor, que vão desde ajudar uma instituição de caridade a ser cavalheiro com o próximo. O que não suporto é papinho neo-burguês, de engajado de boutique.

Que recicla lixo, mas maltrata o garçom pra parecer fodão na mesa do Bistrô fino (o pior dos defeitos). Que usa ecobag, mas não está nem aí quando esquece o dinheiro da empregada, porque é mixaria. Pensar no lixo pode, em gente de verdade não!?

Convenhamos meu caro, quer fazer o mundo melhor? Comece por sorrir. Seja solidário. Seja mais humano. Desconfie do consenso. Seja oposição. Não leve a sério. Não se leve a sério. E sobretudo, nunca esqueça de que nada é bem assim.

escrito por MIM - 11:26 AM

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Segunda-feira, Setembro 22, 2008


Gôndolas

22hs. São Paulo. Zona Sul. Você, de agasalho e recém-saído da academia, estranha a quantidade de gente produzida, falando alto no celular e ostentando grife. E se pergunta se está mesmo no supermercado ou no shopping?

Caras e bocas entre sabonetes e salgadinhos. Na gôndola de pães, um casal chama a atenção. Ele de lenço xadrez, ela de legging dourada. Na de importados, uma madame segura uma Campbell na mão e encena um monólogo. Você começa a achar as coisas meio surreais.

De repente um cheiro doce no ar. Uma bichinha no cat walk passa voando, jurando que o corredor de massa é a passarela. Um pivô e... Um olhar lânguido de brinde. Um arrepio atravessa a sua espinha. Você corre para terminar a lista.

Já no caixa, um yuppie e um casal tom pastel trocam elogios mútuos. O motivo? As sacolas auto-sustentáveis de cada um, o último grito da descolândia antenada com as causas do planeta. Você, cagando pro planeta, sente os olhares inquisitórios.

Tem Cartão Mais? Quer nota fiscal paulista? Moça, por favor, só quero sair desse filme do Stephen King, diz você pra caixa. Já no carro, promete nunca mais voltar naquele supermercado... A não ser, a bordo duma boa Diesel.

escrito por MIM - 5:42 PM

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Quinta-feira, Setembro 18, 2008


Disparada

Já reparou que a semana numa academia é igual a Corrida de São Silvestre? Segunda é a largada. Homens, mulheres, adolescentes, todo mundo tira a combinação Track&Field do armário e esbanja fôlego e alegria.

Terça é aquela reta grande. O quorum ainda é alto e a galera ainda se sente motivada. Alguns já mostram cansaço mas, no geral, rola um clima de euforia.

Quarta é a curva sinuosa. Começam as desistências. Os que vem já mostram desinteresse, ora conversando em grupinhos, ora pendurados no celular. Malhação que é bom, nada.

Quinta é tipo o começo da subida. Geral já desistiu pelo caminho. A academia já está vazia e você treina sem esbarrar nos empolgados de segunda.

Sexta é aquela subidona. A academia só tem praticamente os atletas de ponta. No caso, aqueles que, faça chuva faça sol, não abrem mão de terminar a corrid... ops, o treino semanal.

Sábado é a reta final. Só a elite, leia-se os neuróticos. Assim como no final da corrida, o carão impera porque ninguém ta ali para brincar. Por isso, atente, se você leu aquelas a Marie Claire e resolveu entrar na academia para fazer amizade, paquerar e afins, jamais chegue no final da semana.

escrito por MIM - 11:55 AM

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Terça-feira, Setembro 16, 2008


É sempre lindo andar...

Se anda muito pouco por São Paulo. E motivos pra isso é o que não faltam. Vão desde o transporte público insuficiente as pirambeiras sem fim, que fazem você suar mais do que sair de terno no Rio de Janeiro.

A exceção rola aos finais de semana, quando a paulistada jura de pé junto (numa Croc cafona) que o jardins é o Village e se joga no footing. Se despontar um sol então, aí que a turma off white sai da toca.

Nestes dias, a rua Oscar Freire lembra a 25 de março. Elegante, mas ainda assim 25. E as feirinhas? Nunca vi lugar para ter mais feirinha. É de antiguidade, é hippie, é de comida. Andar na calçada vira um drama.

A fauna também vira uma atração a parte. Quem caminha pelo Jardins, por exemplo, já deve ter visto a madame que tem um porco de estimação. Ou já topou a mad-maria, uma tia louca que assusta quem está distraído.

Cada bairro tem suas personagens, histórias e peculiaridades. Andar a pé na cidade ajuda a quebrar a mítica de que Sampa não tem vida, não tem cor. Pois quem mora aqui sabe que a canção não mente, é sempre lindo andar na cidade de São Paulo.

escrito por MIM - 5:54 PM

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Quarta-feira, Setembro 10, 2008


A pessoa procon

O garçom demorou? O copo veio com uma pedra de gelo e não duas? O prato chegou frio? Pronto, o barraco está formado. Por trás dele está ela, a pessoa procon. Aquele mala que ameaça processar até igreja que atrasa missa.

Blindado por duas coisas: o conhecimento de leis e o fundamento capitalista de que o consumidor tem sempre razão, jovens elitistas, yuppies tupiniquins e afins, fazem as vezes que outrora pertenceu aos velhos e rabugentos.

Mas qual a diferença entre brigar por um direito e ser uma pessoa procon? Primeiro, a arrogância. Afinal, a pessoa procon “tá pagando”. Por isso exige o que quiser e do jeito que quiser, sem realizar que entre ele e o seu sofisticado filé existe um ser humano.

Procurar pêlo em ovo é um outro diferencial A pessoa procon só relaxa em sua própria casa. Fora dela, fica procurando problemas para reclamar e malar os outros. E como a gente sabe, quem procura acha.

E por último, a falta de respeito pelos colegas. Afinal, todo mundo tem o direito de dizer o que bem entender, mas constranger uma mesa inteira por conta duma salada é, alem de obtuso, caipira. Nessas horas o jeito é torcer para que o garçom cuspa somente no prato do mala e não da turma toda.

escrito por MIM - 5:02 PM

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Quinta-feira, Setembro 04, 2008


Pra casar

Outro dia na TV vi o Silvio (você sabe quem) dizer para uma celebridade B (que você não precisa saber quem) que ela não era para casar. Eis que na coluna semanal da Danuza (que você deveria saber quem) leio sobre o mesmo subject.

Com tantos quem’s do parágrafo acima, me peguei neste pensando quem (ou como) seria uma pessoa para casar? Afinal, ficar procurando por aí alguém sincero, não galinha e de família, além de clichê é uma perda de tempo.

Claro que acredito num perfil ideal. Mas não na pessoa ideal. Você, por exemplo. Centrado, bem-sucedido, do tipo que lê GQ e janta no Gero. Marido ideal para algumas pessoas, mas que não serviria nem para amigo de outras.

Sem contar o fator mudança. Numa relação a gente começa uma coisa e, durante o processo, muda pra caramba. Nessa, o galinha pode virar um marido sensacional e o bonzinho, um bom dum cafajeste.

Achar a pessoa ideal não tem fórmula. Por isso, antes de tudo, beije, trepe, more junto, experimente. E se alguém disser que você não é para se casar, nem ligue. Aproveitar a vida sem pensar em casório torna você, no mínimo, uma conquista mais difícil. E por isso mesmo, muito mais interessante.

escrito por MIM - 2:52 PM

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Segunda-feira, Setembro 01, 2008


Pódio

Vendo os medalhistas de ouro na TV, lembrei das olimpíadas. Quem lê o blog sabe como sou fã de esporte. Nessa que passou, me peguei acordado madruga adentro bebendo caipirinha (cujo recorde na turma é meu rá-rá) e acompanhando tudo o que foi competição. Teve noite que dormi três horas.

Independente de gosto, acho incrível a quantidade de lições cívicas que o esporte ensina pra gente. Para quem fez ou faz alguma modalidade esportiva, falar de disciplina, competitividade, perseverança e superação, é até redundância.

Todo esportista é mais obstinado, mais tolerante a dor (leia-se sem frescura) e mais disciplinado para acabar o que começou. Parece arrogância, mas não é. E mesmo a gente sabendo que um esportista de nível não bebe, não fuma, não sai na balada e quase não trepa, a gente ainda sente inveja.

A meu ver, o grande trunfo de quem faz esporte é conhecer de perto tanto a vitória quanto a derrota. E realizar que cair ou perder, faz parte do jogo. Mas levantar, seguir adiante e ainda vencer, faz parte só de você.

escrito por MIM - 10:32 AM

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Quinta-feira, Agosto 28, 2008


Jewelry

Exceto fashionistas, é fato que os garotos têm dificuldades com acessórios. Até os gays, que costumam acertar, têm pisado na bola. Pensando nisso, pus uma trilha no ipod, encarnei o Alcino Leite e fui ver o que povo (e os amigos) tem usado por aí.

O hit, sem dúvida é o escapulário de prata. Bonito e discreto, mesmo quem não usa acha bacana (para dentro da gola, ok). Cai o escapulário de fio, que suja com o tempo e denuncia que você freqüenta Ubatuba. Brincadeira.

A correntinha de ouro no pulso também sobe, do tipo fina e discreta. Da um charme e um quê de bem nascido que não é todo mundo que pode. Ou que tem. Desce a correntona de prata no pescoço, estilo coleira pit boy. O erro.

Relógios são clássicos e estão sempre em alta. Os bons, claro. O leve toque de contestação e modernidade fica por conta do uso, que sai do esquerdo e vai para direito. Experimenta.

Sobe acessórios étnicos. De fio, trançado, de couro, liso, preto ou coloridíssimo. Tire da gaveta aquela pulseira diferentona comprada no Safári (mas no camelô de San Telmo também vale) e quebre o look cinza cidade.

No mais, muitos garotos de mini-alargador na orelha. Bem discretos, tipo brinco. A lista do que caiu inclui usar par de anéis numa mão (hit no verão passado), mix de jóia com couro (a não ser que você seja um Mansur) e piercing pela cara (a não ser que você tenha menos de treze).

escrito por MIM - 11:33 AM

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Terça-feira, Agosto 26, 2008


Alteres

O preço é esse, infelizmente, diz o atendente troncudo de nariz anguloso. Você, querendo renovar a academia após dois meses de jejum (desculpas não faltam), resigna-se. Nem o fato de treinar há tempos deu o direito ao desconto. Mudamos as regras, diz ele. Mudei de academia, diz você.

Na nova, muita paparicação. Café, água, balinhas? Novamente, queria mesmo era desconto, que não veio. Tudo bem. Paga-se mais, tem-se mais. Começa quando rapaz? Hoje honey, hoje. Vou te dar a melhor, exagera a atendente.

Após meia hora de treino, você começa a achar que não era exagero. Após uma hora, você tem certeza. Está tranqüilo? Ah está? Então aumenta mais dez, diz a loira, olhos verdíssimos, sorriso de carrasco. Paixão a primeira vista.

No vai e vem, alguns conhecidos do bairro, uma ou outra carinha batida da televisão e muito, muito carão. Problema? Nenhum! Nesta escola você é diplomado e pós-graduado.

Mudanças têm seu lado positivo. E (para quem gosta) experimentar novas práticas em busca da mente e dum corpo bacana, é algo singular. Terminando, a loira sentencia, meia hora de aeróbio para sarar a barriguinha. E no ipod, thats the way a-han a-han i like it a-han a-han.

escrito por MIM - 4:11 PM

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008


Neighbourhood

Parabéns, você conseguiu. Mudou-se para os Jardins (cá pra nós Bela Vista, mas abafa) e agora está pronto para conhecer a fauna que dividirá a vizinhança. Uma turma que você pensa ser civilizada, mas que pode transformar sua vidinha emergente num verdadeiro inferno, fazendo você se arrepender amargamente seja lá de onde tenha saído.

. A velha: solteira, casada ou viúva, todo prédio tem uma tia chata, mantenedora da moral e bons costumes. O que isso quer dizer? Que ela vai sondar sua vida em um mês. E reclamar de você, depois de uma semana.

. Os pombinhos: uniram os trocos e compraram o conjugado. Usam roupa fit, tons pastéis e nos finais de semana acordam quando você vai dormir. Tem um labrador histérico de bandana vermelha no pescoço que chamam de filho.

. A bicha: jura que o jardins é Tribeca, mesmo nem sonhando onde isso fica. Nos corredores é simpática, fora deles, abusada. Ouve Madonna no último volume em esquentas com as amigas histriônicas, fúteis e drogadas.

. A celebrity: já foi protagonista de alguma novela das oito, ou posou pelada, e garantiu o seu apê. Hoje, não diz nem bom dia para gente comum (leia-se nós) e acredita ter direito a vantagens como duas vagas na garagem.

. O social climber: tem o apê tipo penteadeira de puta, dada a quantidade de treco, arte, espelho e afins. Tudo assinado, claro. Tirando o fato de empestear o elevador de perfume, é inofensivo e dependendo da carinha (e da procedência do dinheiro) até bom partido.

escrito por MIM - 2:14 PM

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Quarta-feira, Agosto 20, 2008


Espelho

Ninguém nasce feio, nasce pobre. Pode parecer maldade, mas depois do e-mail que recebi hoje, com um monte de celebridade editada tipo antes e depois da fama, tive que concordar.

E como em primeira instância a gente olha o outro, em segunda o próprio rabo, cabe pensar que isso se aplica a nossa pessoa. Só não espere uma confissão do tipo, eu vim do nada, da pobreza, fiquei rico e hoje me cuido.

Dizer que veio da pobreza tendo estudado em escola particular e ganhado carro de vestibular, Deus castiga. E como de rico, você está mais longe ainda, chegamos a única verdade da frase: hoje você se cuida.

O que não tem de mal. Afinal você rala o cu na ostra e gasta seu dinheiro onde quiser. E quando se tem espelho em casa, esse “onde quiser” fica meio óbvio. E ai de quem disser que seus dentes, seus peitos, seus músculos não são seus. Como não? Não foi você que pagou? E não está quitado? Então!

E como toda cara tem sua coroa, ao se orgulhar do partidão que você batalhou para pescar na Disco, admita que bonito ele não é, é rico. Se bem que se você for igual a metade das pessoas que eu ando conhecendo, isso significa a mesma coisa. Que é rica de bolso, mas pobre de espírito.

escrito por MIM - 2:13 PM

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Segunda-feira, Agosto 18, 2008


Escala do desespero

Quantas vezes você ouviu de alguém, vamos almoçar amanha? Ou, me liga hein? Direto a gente combina coisas que não leva adiante. E nem é por preguiça ou desprazer, mas por acreditar que a coisa não era para valer.

Eis que na data a pessoa cobra e você pensa, ui, ela estava falando sério. Para evitar estes mal entendidos é que existe a escala do desespero. Que tem mais a ver com dramaticidade do que desespero em si.

Dessa forma, quando alguém combinar ou pedir alguma coisa a outrem, ela adiciona ao pedido uma carga dramática, numa escalada de um a dez, para que ela entenda a seriedade da coisa.

Obviamente, cada um tem seu jeito próprio para desempenhar a função. E de fazer valer sua dramaticidade. Eu por exemplo, odeio pedir favor a quem quer que seja. Mas sendo obrigado (e não sendo um abuso) peço e agradeço de antemão.

O importante é deixar claro que a coisa é para valer, para que a pessoa não esqueça do que foi demandado, nem após um porre de tequila. Pensando bem, acho que sendo tequila a gente até que perdoa.
escrito por MIM - 6:33 PM

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Quinta-feira, Agosto 14, 2008


Flower power

As madrugadas de segunda e quinta nunca foram tão bonitas na capital. É quando rola a feira de flores do CEAGESP. Um cult. Minha mãe vai sempre e faz chantagem emocional para me levar de motorista carregador.

Com ela aprendi o poder de uma flor. Nada mais gentil que levar rosas a casa de alguém. Já vi nego gastar pencas num presente e receber um sorriso menor que outra chegando com um buquê. Caro sim, mas um buquê.

Lembrei disso porque tenho dado muita flor e me admirado com as reações positivas. Hoje levei umas hastes (bico-de-papagaio) pro querido que corta meu cabelo. Como sou VIP (leia-se não pago) fico encabulado de ir sempre e tento compensar levando uns mimos.

Já levei umas Stella Artois comemorativas, umas revistas bacanudas gringas e dessa vez foram as flores. Na saída, pensei que a gente que dá ganha muito mais, pois existem poucos prazeres maiores do que arrancar um sorriso de quem quer bem. É o poder que as flores têm.
escrito por MIM - 6:31 PM

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Terça-feira, Agosto 12, 2008


Double meaning

Todo dia tenho vontade de dizer meia dúzia de verdades para alguém. Conto até dez, tomo um maracujá e seguro a onda. Porque se todo mundo tivesse ataque de sinceridade, o mundo viraria um filme Mad Max (adoro).

Mas e quando não dá para segurar? Tipo quando um mala insiste em ser desagradável numa mesa de amigos (que aliás, tem acontecido com certa freqüência). Ou uma desclassificada desanca um colega na sua frente?

Nestes casos, se cabe usar e abusar do tal double meaning. Que é quando a gente fala uma coisa querendo dizer outra. Como, por exemplo, você elogiar alguém assim: eu espero que você tenha tudo o que você merece.

Se a pessoa for bacana e amável, será o melhor dos elogios. Mas se ela for a mais odiada das pessoas, a frase terá o peso certo da verdade. E o melhor, sem comprometer a finesse que você jura que tem.

Afinal, falamos de um cenário composto de gente civilizada. Já no caso de você bater de frente com alguém declaradamente sacana, que não vale nem o uso da figura de linguagem, dispense o duplo sentido e vá ao bom e velho go fuck yourself.

escrito por MIM - 2:54 PM

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Jovem, educado, bonito e rodado...
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